Preço dos alimentos e da conta de luz seguem pressionando o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). De acordo com o Índice de Custo de Vida por Classe Social (CVCS), calculado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), houve alta de 0,57% em maio, aceleração de 0,44 ponto percentual em relação a abril. Nos últimos 12 meses, o índice acumula avanço de 5,26%, e, no ano, a elevação chega a 3,12%.
Segundo a FecomercioSP, o resultado confirma um quadro de inflação mais disseminada, deixando de se concentrar em grupos pontuais ou sazonalmente afetados. A combinação de pressão no grupo habitação, continuidade do aumento dos preços dos alimentos e avanço consistente dos serviços de saúde indica que o orçamento das famílias na RMSP deve continuar apertado nos próximos meses, sobretudo entre os lares de menor renda.
Habitação lidera a alta e pesa mais para os mais pobres
O grupo habitação subiu 1,27% em maio e foi o principal responsável pela alta do indicador. A conta de energia elétrica residencial aumentou 3,69%, afetando especialmente as famílias de baixa renda, que destinam parcela maior do orçamento a esse gasto essencial.
Também registraram avanço os serviços de mão de obra (0,74%) e o aluguel residencial (0,26%). No varejo, materiais de construção seguem em trajetória de alta, com reajustes próximos de 2,5%. Em 12 meses, o grupo habitação acumula variação de 7,84%, a maior entre todos os componentes do CVCS.
Alimentos e bebidas seguem em alta, mas parte é sazonal
Alimentação e bebidas foram o segundo grupo com maior contribuição para a inflação de maio, com alta de 0,82%. A pressão veio principalmente da alimentação no domicílio, puxada pelos produtos in natura nos supermercados: tomate (25,3%), batata-inglesa (31,2%), cebola (11,3%) e cenoura (8,3%) foram os itens que mais encareceram. A FecomercioSP avalia, porém, que esse movimento é sazonal e tende a perder força nos próximos meses.
Produtos de consumo recorrente também continuam pesando no bolso, como feijão-carioca (5%) e cortes de carne, a exemplo da alcatra (2,5%) e do músculo (3,2%). Já a alimentação fora do domicílio subiu de maneira mais moderada, com a refeição registrando alta de 0,47%.
Saúde mostra inflação estrutural e contínua
O grupo saúde variou 0,94% em maio, evidenciando uma pressão mais ampla, que inclui tanto produtos de higiene e beleza quanto serviços médicos. No varejo, destacaram-se as altas de perfume (4,6%), produtos para cabelo (2,6%), para pele (2,9%), higiene bucal (2,2%), sabonete (1,7%), antigripais (1,6%) e analgésicos (1,6%).
Entre os medicamentos, psicotrópicos e anorexígenos subiram 2,1%, e os hipotensores, 0,9%. Nos serviços de saúde, dentista avançou 1,2%; médico, 1%; psicólogo, 0,7%; e plano de saúde, 0,5%. O grupo acumula alta de 3,87% nos cinco primeiros meses de 2026, reforçando o caráter estrutural dessa pressão no orçamento das famílias.
Despesas pessoais e outros grupos também sobem
No grupo despesas pessoais, a alta foi de 0,73%, impulsionada por serviços como hotel (3,9%), boate e danceteria (2,7%) e despachante (2,2%), em linha com demanda aquecida no período. Vestuário (0,44%), artigos do lar (0,42%) e comunicação (0,41%) também registraram aumento, contribuindo para a disseminação da alta entre diferentes tipos de consumo.
Transportes recuam, mas passagens aéreas sobem
Na contramão dos demais grupos, transportes fecharam maio em queda de 0,21%. O movimento foi influenciado pela redução generalizada dos combustíveis: etanol recuou 7,5%, óleo diesel caiu 1,9% e gasolina teve baixa de 0,6%.
Por outro lado, serviços de transporte e passagens aéreas avançaram 7%. A alta indica que os custos operacionais das companhias aéreas — ainda pressionados pelo encarecimento do querosene de aviação — continuam sendo repassados aos consumidores.
Inflação pesa mais nas classes de menor renda
A análise por faixa de renda mostra que o impacto é mais sentido pelas famílias de menor poder aquisitivo. A classe D registrou a maior variação do mês, com alta de 0,73%, seguida pela classe E (0,64%) e pela classe C (0,58%). Entre as rendas mais elevadas, o avanço foi menor: 0,49% para a classe B e 0,44% para a classe A.
Essa diferença se explica pelo maior peso de habitação e alimentação no domicílio nos orçamentos das classes de menor renda. No acumulado de 12 meses, a disparidade se mantém: o custo de vida subiu 5,85% para a classe D e 5,81% para a classe E, contra 4,76% na classe B e 4,94% na classe A.
















