O varejo brasileiro fechou junho com o pior desempenho para o mês desde o auge da pandemia de covid-19, em 2020. Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgados nesta segunda-feira, 13, apontam uma queda real de 2,8% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado. É o segundo mês seguido de recuo expressivo e consolida um primeiro semestre difícil para o comércio no país.
Inflação aperta o orçamento das famílias
O resultado de junho sucede a retração real de 3,4% registrada em maio, sinalizando uma perda contínua de fôlego no consumo. No acumulado do primeiro semestre, o varejo apresenta queda real de 2,2%. Um desempenho bem pior que o verificado no mesmo período de 2023, quando a baixa havia sido de 0,7%.
Os indicadores de preços mostram o peso da inflação sobre o bolso do consumidor. O IPCA-15 subiu 0,41% em junho e acumula alta de 4,80% em 12 meses. O movimento foi puxado principalmente pelos grupos de alimentação, bebidas e habitação, que inclui despesas com aluguel e energia — itens que comprimem o espaço do orçamento para outros tipos de consumo, inclusive no setor automotivo e de serviços relacionados.
Queda desigual entre regiões e setores
A retração não foi uniforme e expôs diferenças importantes entre regiões e segmentos da economia:
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Desempenho regional:
O Sudeste concentrou as maiores perdas, com queda real de 4,5%, à frente do Centro-Oeste (-2,6%), Nordeste (-1,4%), Sul (-1,0%) e Norte (-0,3%). -
Estados em extremos opostos:
São Paulo liderou a piora, com tombo de 6,1%, seguido de Amazonas (-4,1%) e Pernambuco (-3,9%). No lado positivo, o Acre avançou 3,7%, Rondônia cresceu 2,7% e Minas Gerais, 1,4%. -
Setores da economia:
O macrossetor de Serviços foi o mais atingido, com queda real de 9,1% no ICVA. Bens duráveis e semiduráveis, como vestuário e eletrodomésticos, recuaram 3,4%. Já os bens não duráveis, grupo que inclui supermercados, ficaram praticamente estáveis, com leve baixa de 0,1%. -
Lojas físicas x canais digitais:
Enquanto o varejo físico mostrou um avanço nominal de apenas 1,0%, o comércio eletrônico se destacou com crescimento nominal de 9,2%. A diferença reforça a mudança de comportamento do consumidor e a necessidade de integração mais forte entre canais físicos e digitais em toda a cadeia de distribuição, inclusive no aftermarket automotivo e na venda de peças, serviços e veículos.

















