Os brasileiros estão à frente da média global no uso de inteligência artificial em tarefas do dia a dia, segundo a nova edição do Sentiment Index, estudo global da EY que mede tanto a adoção de IA quanto a percepção das pessoas sobre essa tecnologia.
De acordo com o levantamento, 45% dos brasileiros utilizam IA para encontrar a melhor rota ao dirigir ou viajar – 14 pontos percentuais acima da média mundial. Já 42% recorrem à IA para acessar serviços de atendimento ao cliente, índice três pontos percentuais superior ao global.
O uso da tecnologia também se destaca em áreas sensíveis. No Brasil, 36% dos entrevistados dizem usar IA para descrever sintomas e buscar diagnósticos preliminares sobre sua saúde, um patamar 10 pontos percentuais acima da média global. Outros 29% afirmam utilizar ferramentas de IA para organizar ou planejar viagens, quatro pontos a mais que o restante do mundo. Além disso, 26% declaram usar IA para conversar sobre sentimentos ou saúde mental, nove pontos acima da média global.
“O Brasil tem como característica ser aberto a experimentar novidades, e isso aparece com clareza na pesquisa. Se conseguirmos alinhar esse traço cultural com regulamentação, escalabilidade e capacitação da força de trabalho, o potencial econômico se torna ainda maior, o que exige das empresas uma capacidade de transformação contínua”, afirma David Dias, sócio-líder de inteligência artificial da EY na América Latina.
Ao mesmo tempo, essa abertura vem acompanhada de cautela. Segundo o estudo, 87% dos brasileiros acreditam que deve haver transparência sempre que algo for criado ou influenciado por IA. “Há uma preocupação clara com a forma de uso dos sistemas de IA”, completa Dias.
O levantamento mostra ainda que 57% dos respondentes estão preocupados com a possibilidade de a IA tomar decisões que não reflitam suas prioridades ou seu código ético pessoal. E 62% dizem temer não saber o que é real diante do avanço da IA generativa. “Esses números indicam que, embora tenham abraçado a IA, os brasileiros mantêm uma visão crítica da tecnologia e estão atentos às implicações potencialmente negativas que ela pode ter em suas vidas”, conclui o executivo.
Mercado pioneiro
Entre os brasileiros ouvidos, 95% afirmam já utilizar algum tipo de IA – dez pontos percentuais acima da média global. Com esse desempenho, o Brasil é classificado pelo estudo como um mercado pioneiro na adoção da tecnologia, ao lado de Índia, China, México, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong e Coreia do Sul.
No total, apenas oito dos 23 mercados analisados – que somam mais de 18 mil entrevistados – receberam o status de pioneiro. Nesses países e regiões, a IA é usada de forma mais ampla, frequente e integrada à rotina.
A classificação leva em conta três variáveis. A primeira é o percentual de pessoas em cada mercado que utilizou IA de alguma forma nos últimos seis meses. A segunda considera a parcela da população que usou agentes de IA no mesmo período. A terceira variável mede o nível médio de conforto dos entrevistados com a tecnologia, o impacto percebido em suas vidas e em seu país ou região, além do grau de entusiasmo em relação ao futuro da IA.
As três dimensões têm o mesmo peso na metodologia do estudo. Os mercados com melhor desempenho combinado nesses critérios são, então, ranqueados como pioneiros em inteligência artificial.

















