A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), anunciada nesta terça-feira, 14, de elevar de 30% para 32% o percentual de etanol anidro misturado à gasolina, gerou reação negativa em diferentes segmentos da cadeia automotiva.
Abipeças e Sindipeças divulgaram comunicado conjunto em que manifestam preocupação com a medida, tomada sem a realização prévia dos protocolos de ensaio considerados necessários pelo setor. As entidades lembram que esse ponto já havia sido levado ao governo em ofício encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira de Oliveira, em 27 de abril. Um novo documento, com a mesma linha de argumentação, foi enviado nesta terça-feira ao secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (SNPGB), Renato Cabral Dias Dutra.
Na mesma direção, o presidente da Abeifa, Marcelo de Godoy, reiterou em entrevista coletiva a posição contrária da associação à mudança no teor de etanol.
“Já divulgamos uma nota sobre isso, lembrando que a discussão precisa ser mais ampla. No caso dos importadores, é necessário dialogar com as matrizes para promover os ajustes nos motores a gasolina. O risco é começarmos a ver veículos parados nas vias por causa dessa alteração no teor do combustível”, afirmou Godoy.
Ele destacou ainda que há veículos em circulação que não foram projetados ou adaptados para operar com essa nova proporção de mistura.
Segundo o Sindipeças, ao elevar o limite de E30 para E32, a tolerância de mercado pode fazer com que a mistura efetiva chegue a até 34% de etanol anidro (E34).
“Ressalta-se que não foram realizados ensaios com E34, razão pela qual não existem evidências experimentais suficientes sobre o comportamento da frota diante desse teor”, registra a entidade, que representa a indústria brasileira de autopeças.
O Sindipeças conclui a nota reafirmando que está à disposição para colaborar com propostas metodológicas e protocolos que viabilizem os testes necessários, de forma a assegurar a integridade dos motores movidos exclusivamente a gasolina, a segurança veicular e a proteção ao consumidor.

















