Com o objetivo de inovar e ocupar posição de destaque no mercado automotivo, especialmente na agenda dos motores do futuro, a RIO – Riosulense (Rio do Sul/SC) está apostando em um Programa de Mestrado Profissional voltado ao aperfeiçoamento de sua equipe técnica.
“A nossa motivação foi estratégica: inovação depende de gente e de know-how. Partimos de uma equação simples: para ter pesquisa, é preciso ter pesquisadores. E nada é mais motivador do que incentivar o próprio time a se capacitar”, afirma Clebson Atilio Ferreira, gerente técnico da RIO, idealizador do projeto e um dos alunos da primeira turma.
O Mestrado Profissional é realizado em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS). A primeira turma teve foco em Engenharia Mecânica, com ênfase em processos de fabricação e materiais, e resultou na formação de nove engenheiros.
“A escolha da UCS foi muito assertiva. Além de excelente infraestrutura de laboratórios e um corpo docente qualificado, a universidade mantém uma relação bastante próxima com a indústria, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de vários segmentos”, explica Ferreira.
Segundo ele, pensar o futuro dos motores é hoje um ponto central para a RIO. Isso passa por estudar o papel de biocombustíveis – como biodiesel e biometano – e também do hidrogênio. “Como serão esses motores? Quais componentes do nosso portfólio atual permanecerão? O que vai mudar? Precisamos responder a essas perguntas, porque esses novos combustíveis certamente exigirão motores com características diferentes dos atuais a diesel ou gasolina”, pontua.
O principal objetivo do Mestrado Profissional é formar um corpo técnico preparado para conduzir pesquisas e desenvolver novas tecnologias em processos e materiais. O curso começou em 2023 e foi concluído em dezembro de 2025, combinando disciplinas on-line e presenciais. As pesquisas foram realizadas nos próprios laboratórios da RIO. Para valorizar o engajamento dos participantes, a empresa ofereceu bolsa de estudos cobrindo 70% da mensalidade. A próxima turma já está em formação e deve começar no início de 2027.
Resolução de problemas reais – Para Marcelo Hausmann, coordenador de Engenharia, o curso foi decisivo por aliar rigor acadêmico à prática industrial, oferecendo ferramentas para aplicar metodologias científicas na solução de problemas concretos da empresa. Sua pesquisa foi direcionada à área de processos de manufatura, especificamente à usinagem de camisas de cilindro. “Os motores do futuro vão exigir componentes cada vez mais complexos, o que torna os desafios de usinagem muito maiores. Por isso, é fundamental entender a fundo as técnicas de fabricação”, afirma.
Já Eliasar Martins Bernardo, supervisor de Engenharia de Processos, voltou-se à área de fundição de aços. “Na busca por motores mais leves e eficientes, foquei em ligas de maior qualidade, capazes de reduzir defeitos internos do metal e melhorar as propriedades mecânicas e metalúrgicas”, detalha.
Ferreira destaca que a base de conhecimento criada pela primeira turma abriu espaço para a RIO submeter projetos a linhas de fomento e pesquisa de forma mais estruturada. “Além disso, o time está produzindo artigos técnicos para apresentação em congressos e publicação em revistas do setor. Isso reforça a percepção de mercado sobre a RIO e seu compromisso com o futuro dos motores”, conclui.















